quinta-feira, 8 de março de 2012

doutorado em história da literatura



um sonho antigo começa a tomar corpo nesta semana, mais precisamente a partir de hoje (dia 08 de março). depois de um largo tempo de trabalho árduo, lutando contra toda sorte de adversidades, nós, do corpo docente do setor das literaturas do ila, e que já formava o mestrado em história da literatura, temos muito o que comemorar.  
sob a batuta da profa. dra. rubelise cunha, nossa coordenadora, e na companhia do prof. dr. máuro póvoas, do prof. dr. josé fornos começamos o processo de avaliação e seleção dos candidatos para o preenchimento das 10 vagas oferecidas para o doutoramento em história da literatura do programa de pós-graduação em letras da furg. 
para uma universidade pequena como a nossa, com as dificuldades orçamentárias que enfrentamos, com o comprometimento dos nossos colegas do setor das literaturas atuando nos cursos de graduação e pós-graduação em letras, sempre assolados por turmas superpovoadas, com cargas horárias preenchidas por sala de aula, por orientações de iniciação científica e de mestrados, pelas pesquisas em andamento, pelas publicações, pelas participações em bancas e em congressos, e por tudo o mais que as atividades acadêmicas implicam, quero ressaltar que o credenciamento pela capes do nosso doutorado significa uma grande vitória. 
nossa função é produzir conhecimento, e a despeito de tantas dificuldades e de uma sistêmica incompreensão do alcance da arte literária, continuamos a produzi-lo em parceria com nossos alunos graduandos e mestrandos. sem dúvida, o reconhecimento do nosso trabalho pelas instâncias superiores como a capes vem acrescido de mais trabalho, mas esta é uma tarefa que aceitamos com prazer, orgulho e muita determinação. saúde e alegria para nós, meus queridos colegas!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

estudantes valencianos e a polícia


Universitários de Valencia, Espanha


                Na última segunda-feira, dia 20, por volta das sete da noite, alguns estudantes do curso de história e geografia da universidade de Valencia, Espanha, saíram às ruas para protestar. Não passavam de 30; e a polícia que deveria cuidar da ordem e da segurança dos cidadãos, repreendeu os poucos estudantes com bombas, pauladas, socos, pontapés. Os meninos e meninas, que queriam apenas protestar, não tinham nenhuma arma letal nem escudos de proteção; possuíam cadernos e eram estes cadernos que levantavam como “bandeira”. Do outro lado, os agentes policiais vestiam protetores acolchoados no peito, nos membros, nos pés e mãos, e capacetes com viseiras nas cabeças. Eu contei mais de 7 camburões dentro dos quais brotavam como moscas os policiais que atacavam covardemente os 30 e poucos estudantes que iniciaram o protesto. Prenderam menores de idade e um bocado de estudantes atônitos com tamanha violência. Eu estava ali e vi as cenas com espanto e muito medo. E contra o que protestavam os estudantes de história e geografia? Contavam que os cortes na área de educação, na Espanha do partido PP (leia-se franquismo e direita) com o atual presidente iria trazer prejuízos ao país porque estavam cortando as bolsas de estudos aos alunos necessitados; também protestavam pela falta de papel higiênico nos banheiros e pela ausência de calefação nas salas de aula. E por isso apanharam da polícia...

                Felizmente o tiro saiu pela culatra. Depois desta noite, em todos os dias desta semana que se acaba, os estudantes do país inteiro têm se manifestado contra a violência deste governo (tem apenas 2 meses) que já começa assim. E a polícia, que se viu em maus lençóis com a indignação da população, agora sim exerce seu papel de cuidar da pessoas sem agredi-las.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

um breve estudo sobre o mito de narciso em cecília meireles

(este ensaio foi apresentado sob forma oral no seminário internacional de história da literatura - pucrs, em outubro de 2005, e publicado nos respectivos anais)

A busca de um retrato nem sempre natural:

Um breve estudo sobre o mito de narciso em Cecília Meireles[1]



            O mito de narciso tem se configurado, a partir da modernidade, como caso exemplar para a necessidade crescente de constituição identitária. Tanto o plano coletivo (como as noções de nacionalidade), quanto o plano individual (como as faces de um indivíduo) buscam nos mitemas que compõem o mito um alicerce sobre o qual os poetas constroem seus respectivos imaginários identitários. Ocorre que a poesia brasileira do século XX não suporta mais uma organização sistematizada e homogeinizante do ponto de vista tradicional encontrável na maioria das histórias literárias que se tem produzido. Priorizar o aspecto temático em detrimento de uma datação rígida e pontual, bem como de uma aglutinação de nomes em torno de uma estética literária, precisa ser considerada. Assim, é forçoso apontar que a poesia produzida pós Semana de Arte Moderna apresenta traços bastante característicos relativos à errância identitária. Do ponto de vista individual, essa busca identitária assume imagens sobre a infância, sobre a velhice, sobre as deformidades corporais, etc. Corrobora nessa persecução dos eus-líricos uma certa uniformidade temática – o mito de narciso. A poesia de Cecília Meireles apresenta essas características. Assim, esse ensaio pretende discutir algumas marcas relativas ao mito de narciso na produção ceciliana.



A POESIA DOS ESPELHOS

            A poesia de Cecília Meireles, sem dúvida, órbita poucos temas e/ou assuntos. O que mais interessa à poeta é a poeta. O narcisismo conforma as mais diversas imagens propostas pelo eu-lírico. Ora é a nuvem que lhe serve de espelho, ora são as águas salgadas que lhe devolvem imagens distorcidas de seu rosto marcado pelas feridas do tempo. O espelho, para Cecília, assume formas diversas e inusitadas, mas sempre carregadas de uma melancolia aliada a uma certa resignação feliz em ver-se diferente do decalque que o reflexo especular lhe oferece. Eis um poema exemplar:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

visita: faculdad de filosofia y letras - córdoba - españa

no último dia 10, visitando minha querida amiga, maría angéles h. álvarez, professora de teoria literária e literatura comparada na universidade de córdoba, aproveitei para reafirmar o interesse em um convênio bilateral entre nossos cursos de pós-graduação.

com o apoio da profa dra rubesile cunha, coordenadora da pós-graduação em letras do ila/furg, participei de duas reuniões com a apresentação carinhosa de maría ángeles; a primeira, para tratar das possibilidades acadêmicas relativas à graduação e à pós-graduação com o decano da faculdad de filosofia y letras - prof. dr. eulálio fernández e com a diretora do depto. de ciencias del linguaje - profa. maría luiza caler vaquera; a segunda com o vicerrector de la oficina de relaciones internacionales - prof. dr. antonio ruiz para tratar das questões econômicas, acadêmicas e demais assuntos relativos aos convênios internacionais. adianto que as possibilidades de convênios com esta universidade são muito promissoras, tanto para alunos de graduação como os de pós-graduação.