quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

o convênio furg - uco

finalmente, depois de muitas idas-e-vindas em um ano, o 'acordo de cooperação entre a furg - universidade federal do rio grande, brasil - e a uco - universidade de córdoba, espanha - já está devidamente assinado pelos respectivos reitores. agora é trabalhar!!! agradeço a maravilhosa acolhida da minha querida amiga prfa. dra. maria angeles hermosilla e do vicerrector prof. dr. antonio ruiz, ambos da universidade de córdoba. sem eles, e sem a confiança dos meus colegas rube e mauro, não teríamos a oportunidade dos tão necessários intercâmbios com universidades estrangeiras. muito obrigada!!

O espaço redimensionado em 'o búfalo' de clarice lispector


[este ensaio foi publicado na série Estudos Literários, pela Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus Araraquara, volume organizado pelos profs. Dra. Ana Luiza Camarani e Dr. Luiz Gonzaga Marchezan, pela Cultura Acadêmica Editora, em 2012]
O espaço redimensionado em O búfalo de Clarice Lispector

 Profa. Dra. Raquel Souza[1]

            A fortuna crítica de Clarice Lispector é, sem dúvida, uma das maiores da Literatura Brasileira. Sua obra tem sido alvo de inúmeros críticos, desde aqueles de formação filosófica aos de psicanálise. É, portanto, muito árdua a tarefa de escrever sobre sua produção sem incorrer em repetições, conceitos já mastigados ao excesso, cair no lugar comum dos estereótipos do feminino, da literatura hermética, do existencialismo, etc. E, no entanto, sua obra sempre apresenta figurações inusitadas, revelações surpreendentes. Enfim, a cada leitura que faço se renovam as expectativas, redescubro novas nuanças, inusitados aspectos antes não percebidos. Surpreende com imagens absolutamente cotidianas, singelas, fortes. Suas personagens carregam as consciências perdidas por aí, espalhadas no mundo. Como desviar-nos do susto quando um conto finaliza repentinamente? E a gente se pergunta, entre a credulidade e a racionalidade científica: - mas quem era aquela galinha que virou almoço de domingo?[2]

Fico em estado de perplexidade quando a leio. Quero, então, declarar de início que minha intenção com este ensaio é usufruir do aprendizado que a leitura dela me propicia, isto é, aliar a ação intelectiva, que comanda a organização de seus textos, aos sentimentos que ela desperta em mim. Incluo nesse percurso as etapas epifânicas de que falou Affonso Romano em estudo já clássico, mas, sobretudo, as idéias de “revelação” como ensinou Octávio Paz sobre a poesia. Serão meus companheiros teóricos para este desvendamento hermenêutico as questões trabalhadas pela Filosofia do Imaginário. Minha vontade é retomar aquela função da literatura há muito esquecida pela academia – o prazer do texto (como o chamou Barthes) e, através dele, do prazer, “apreender” a vida. Reitero: quero apenas deixar que o conto de Clarice Lispector se expanda em mim nas suas significações, assim como propõe Gaston Bachelard – ressonância e repercussão. Na parte introdutória de A poética do espaço, o filósofo comenta sobre a posição do leitor de poesia. Explicando o par “ressonância-repercussão”, esclarece que as ressonâncias se dispersam em diferentes planos na vida do leitor, e que as repercussões nos incitam a um aprofundamento da nossa própria existência. Ele argumenta:

Na ressonância ouvimos o poema; na repercussão o falamos, ele é nosso. (...) É depois da repercussão que podemos experimentar ressonâncias, repercussões sentimentais, recordações do nosso passado. Mas a imagem atingiu as profundezas antes de emocionar a superfície. E isso é verdade numa simples experiência de leitura. Essa imagem que a leitura do poema nos oferece torna-se realmente nossa. Enraíza-se em nós mesmos (BACHELARD; 1993:07).

apontamentos para aula sobre clarice lispector


             Sobre Clarice Lispector: A hora da estrela / Laços de família
[este texto foi apresentado no seminário Cinema & vídeo, organizado pela profa. eliane campello, na FURG; na seqüênia estão alguns apontamentos sobre a obra da clarice lispector para uma aula expositiva]
 

             A hora da estrela, última narrativa publicada em vida da autora, parece ser uma espécie de legado final de sua escritura. Nesta “novela”, como a própria Clarice a designava, há a possibilidade de se proceder a diversas abordagens sobre o texto, mas o propósito deste encontro refere-se à ligação intrínseca entre a narrativa propriamente dita e a obra fílmica dela originada. Vamos, então, tentar uma aproximação entre ambos discursos com o inevitável peso de importância sobre o romance, já que o filme nasce dele é basicamente com ele que trabalhamos no universo da Literatura Brasileira.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

sobre guimaraes rosa


                                       Sobre João Guimarães Rosa


                        ROSA ------------------------------- LISPECTOR

                           |                                                          |

                   regionalismo                                       urbanismo

                    è  metafísica do sertão                           è  metafísica da cidade

                                                                ß

                                                experimentalismo lingüístico

                                                e de gênero: narrativa + poesia

 
 

- SAGARANA (1946)               - CORPO DE BAILE / GRANDE SERTÃO ( 1956)

- PRIMEIRAS ESTÓRIAS (1962)

- TUTAMÉIA (1967)

- ESTAS ESTÓRIAS (1969)

- AVE, PALAVRA (1970)

 

-                ROSA                           X                       romance de 30

             - mágico                                                        - lógico

             - lendário                                                       - verossimilhança

             - discurso elíptico                                          - discurso linear

             - oralidade                                                      - não-oral

 

-          técnica do romance regionalista:

           - Alencar e os românticos

           - Oliveira Paiva e os real/naturalista

           - Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e os pré-modernistas

           - ciclo do romance do nordeste

                                        X         ( ruptura, oposição, insólito )

-          Guimarães Rosa

è         mágico / lógico

è         lenda / real

è         mistura, abolição de fronteiras

 

-                                prosa roseana: trajetória para uma educação ---------- “romance de educação sentimental”, ascese para o conhecimento

 - revolução idiomática: linguajar sertanejo + arcaísmos + exploração sonora

                                                                                                               sintática

                                                                                                               semântica

 

-                                temas: jagunçagem / coronelismos ------ metafísica do homem rural

 

-                                sentido de circularidade